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Como as telenovelas mudaram (e mudam) o mundo


Muitas vezes as novelas não são vistas como bons exemplos para a sociedade. Quem é que não se lembra da Nazaré, da Senhora do Destino? Na época da novela, a vilã que sequestrou um bebê inspirou negativamente algumas mulheres a fazerem o mesmo. Outros exemplos não faltam. Sempre tem um personagem materialista e nefasto que fazem com que as novelas pareçam mais rasas e vazias do que promotoras de mudanças sociais.

Mas, em todo o mundo, o gênero tem conseguido proporcionar um “entretenimento educativo” – uma mistura de mensagens de serviço público e melodrama, que atingem milhões de espectadores. Confira abaixo algumas das boas mensagens que novelas passaram ao público pelo mundo.

América Latina: Novos costureiros

Simplesmente Maria foi uma telenovela brasileira veiculada na extinta TV Tupi em 1970, inspirada na novela peruana de mesmo nome. A história de uma empregada doméstica que fez fortuna com suas habilidades na máquina de costura ficou extremamente popular em toda a América Latina e levou a um rápido aumento nas vendas de máquinas de costura.

Simplesmente Maria era especialmente popular no México. Lá, houve rumores que mais pessoas assistiam a novela do que os jogos da Copa do Mundo de 1970.

México: Alfabetizando a população

O escritor de novelas mexicano Miguel Sabido começou a estudar o fenômeno do Simplesmente Maria. Ele tinha escrito várias novelas populares no México, mas de conteúdo vazio. O que ele queria era mudança social. Sabino elaborou uma metodologia em que escritores poderiam criar uma novela que fosse ao mesmo tempo popular e educacional.

Em 1975, metade da força de trabalho do México era analfabeta. Sabino criou uma série chamada “Ven Conmigo”, em que um homem idoso se alfabetizou e leu uma carta de sua filha pela primeira vez, em uma emocionante cena.

Durante a série, um centro de distribuição nacional forneceu cartilhas de alfabetização gratuitas. 250 mil pessoas foram pegar suas cópias da cartilha, e o programa governamental de alfabetização aumentou nove vezes ao longo de um ano.

No Brasil, uma novela também teve o objetivo de alfabetizar. João da Silva, de 1974, era exibida na TV Cultura e conta a vida de um homem que se arrisca no Rio de Janeiro para completar seus estudos. A telenovela misturava teledramaturgia com um curso supletivo de ensino fundamental. Foi um dos primeiros projetos inovadores de alfabetização pela televisão.

Índia: Se case por amor!

Em 1984, Sabino foi convidado para escrever uma série na Índia. Lá, ele criou Hum Log, uma série que debateu grandes questões sociais do país, e atraiu uma audiência regular de mais de 50 milhões de pessoas. Uma das personagens, uma menina de família hindu, se apaixona por um muçulmano, e outro personagem quer se casar com uma mulher de casta inferior.

Cada episódio terminava com uma mensagem do famoso ator Ashok Kumar, que incentiva o espectador a discutir as questões levantadas no programa. Ao longo da série, que durou 17 meses, a produção recebeu mais de 400 mil cartas de jovens telespectadores, suplicando-lhes para convencer seus pais a deixá-los se casar com o homem ou a mulher de sua vida.

Índia: Igualdade feminina

Como muitas pessoas pobres ainda não tem televisão na Índia, a PCI Media Impact resolveu atingir mais pessoas através do rádio. Em 2002, eles criaram uma novela veiculada nas rádios chamada Taru, que desafiou o tratamento preferencial dos meninos sobre as meninas.

Pesquisadores da série revelaram que meninas no estado de Bihar, em sua parte rural, não celebram seus aniversários. Eles decidiram contar a história de uma menina corajosa que pede e consegue uma festa pela sua família. Depois disso, ouvintes de toda a região começaram a preparar festas de aniversários para as meninas pela primeira vez.

Brasil: Primeiro beijo gay

O primeiro beijo lésbico em uma novela brasileira só aconteceu no ano passado, em Amor e Revolução (SBT). O beijo, que durou 40 segundos, aconteceu exatamente uma semana depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o reconhecimento da união estável homoafetiva.

Se as histórias de beijos gays em novelas ainda é polêmica, no passado era muito mais. Quando dois homens se beijaram pela primeira vez na televisão aberta inglesa, surgiram manchetes no jornal do tipo “Tirem isso de nossas telas!”.

África: Saúde sexual

Várias novelas no leste da África têm desafiado tabus ao discutir questões da saúde sexual. Uma série no Sudão contou a agonia de uma menina que sofreu mutilação genital. Entre 2004 e 2006, quando o programa estava no ar, as pesquisas sugeriram uma crescente oposição à prática.

Uma série na Etiópia, entre 2002 e 2004, conseguiu fazer com que os jovens aumentassem a preocupação com métodos contraceptivos. Depois da novela, uma pesquisa indicou que um quarto da população que buscava aconselhamento contraceptivo em centros de saúde tinham se inspirado na série.

Afeganistão: Menos mortes em minas terrestres

Em 1994, quando os talibãs estavam no poder no Afeganistão, uma equipe da BBC criou uma novela de rádio que promoveu os direitos das mulheres e informava os ouvintes sobre como evitar o perigo de minas terrestres, que se espalharam pelo país. De acordo com pesquisa realizada pela ONU, os ouvintes regulares do programa eram duas vezes menos propensos de serem mortos por uma mina terrestre.

BBC

2 comentários:

Sinais Reais disse...

O que ficou faltando nesta matéria? Simplesmente falar do outro lado da questão. A verdade de maior proporção é que a TV, o cinema, música e games tem moldado a grande massa populacional com suas mensagens e, isso é fato, não só pelo texto lido acima mas, pela mudança bizarra que as mídias tem realizado como, por exemplo, a falência do casamento para uma reestruturação familiar anticristã, controle populacional, alteração dos valores e princípios sociais, morais e religiosos, etc...

As novelas, em questão, deram bons exemplos em menor proporção causando um engano, como um disfarce com um claro desequilíbrio do que é certo e errado. Mas suas mensagens foram impressas em mentes e corações de quem assistiu.

Como está o mundo a sua volta? Confuso? Acredite: a mídia não tem culpa, pois são nada mais que instrumentos de comunicação. Quem tem a culpa? Grupos que a utilizam para um fim, com um proposito. Se você não aprender a ler o que está a sua volta, você é um grande candidato para ser um escravo do sistema.

Nayarah Souza disse...

Olha sua página está ótima, super edificante... Que Deus continue te usando cada vez mais. Estou divulgando sua página, quando puder dá uma passada lá no meu blog, ok! http://aPalavraQueSalva.blogspot.com.br
Nayarah Souza

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